Bonde São Paulo – mobilidade urbana, cidadania e algo mais…

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Vamos falar de bondes?

Domingo, 23/Agosto/2009 · 2 Comentários

Meses atrás, correu a notícia de que haviam sido encontrados antigos trilhos de bonde, ainda em seu local original. No cruzamento das ruas Veneza e Antonio Bento, no Jardim Paulista, havia uma grande área coberta por asfalto, mas que lembrava o formato de uma rotatória. Como neste ponto uma rua é perpendicular à outra, a delimitação das esquinas era feita por tachões. O espaço asfaltado e isolado ao tráfego de veículos servia de estande de vendas de “pufes” cor-de-rosa, móveis de vime, morangos de Atibaia, enfim, essas tranqueiras que são vendidas em algumas ruas da cidade.

Com o intuito de aumentar a área permeável do local, o asfalto foi retirado para dar lugar a um gramado. Só que neste cruzamento, décadas atrás, o bonde da linha 40 fazia seu retorno. Por isso o formato circular do cruzamento.
A idéia inicial da prefeitura, de aumentar a área gramada e retirar o asfalto do local, por si só era louvável. O espaço público é dominado pela dupla asfalto-concreto, e a circulação de pedestres é cada vez mais restrita a calçadas estreitas e esburacadas. Um cruzamento com uma boa área verde é um alento para quem passa por lá. Mas ninguém sabia que ali, debaixo de uma grossa camada de pavimento, se escondiam os trilhos que foram desativados em nome de um “progresso” muito caro à cidade.

Os bondes de São Paulo cobriam toda a cidade, sendo responsáveis pelo transporte coletivo num tempo em que metrô era sonho de poucos visionários. Com a popularização dos automóveis, o uso dos bondes passou a ser criticado. Afinal de contas, o transporte público movido a eletricidade incomodava as “forças ocultas” interessadas em vender mais carros, mais combustível e em construir mais estradas. Os bondes eram acusados de atrapalhar o trânsito (!), pois sua circulação atrasava os automóveis. E, de acordo com uma mentalidade pobre, mas que ainda impera no Brasil, carro é sinônimo de progresso…
Agora, depois de incertezas sobre qual seria seu destino, os trilhos estão lá, como se para provar que o tempo passa, os carros passam, mas ainda há tempo para corrigir alguns erros…

 

ANTES:

 

DEPOIS:

Trajeto da linha 40:

IDA: Rua asdrúbal do Nascimento, Rua Assembléia, Rua Jaceguai, Av. Brigadeiro Luiz Antonio, Av. Paulista, Rua Pamplona, Rua Maestro Chiaffareli, Rua Honduras, e Rua Veneza.
VOLTA: Rua Veneza, Rua Honduras, Rua Maestro Chiaffareli, Rua Pamplona, Av. Paulista, Av. Brigadeiro Luiz Antonio, e Rua asdrúbal do Nascimento.

Mais linhas de bonde em São Paulo: http://www.wernervana.com/trajeto.html

Agora só falta o bonde voltar a circular!

Mais fotos, clique aqui!

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Palestra hoje!

Quinta-feira, 23/Julho/2009 · Deixe um comentário

A ANTP e a Unicsul têm promovido uma série de encontros com especialistas, para discutir Mobilidade Urbana. Nesta segunda palestra, o tema é “Cidade para Todos”.

 

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Sabedoria Popular

Quinta-feira, 2/Julho/2009 · Deixe um comentário

Dias atrás, num ônibus que ia de Pinheiros para a Zona Norte, fiquei prestando atenção no diálogo entre uma passageira e o motorista de ônibus. A conversa foi assim:

- O trânsito hoje tá de lascar, né? Disse a passageira.

- Acho que é a ressaca do quebra-quebra lá na Penha, respondeu o motorista, que devia ser seu conhecido.

- Tem muito carro na rua, isso sim. Agora, todo mundo quer comprar carro…

- Pois é. O sujeito ganha um dinheirinho, já logo pensa em comprar um carro. Quando eu cheguei aqui em São Paulo, a primeira coisa que eu pensei foi em comprar uma casa, ter um lugar para morar. Tem um povo que troca de carro todo ano, só pensa nisso, mas mora de aluguel nuns lugares feios pra burro.

 Naquele momento eu vi duas pessoas, aparentemente bastante humildes, dando uma senhora demonstração de conhecimento, de maneira totalmente espontânea. Esse mesmo conhecimento falta a muitos cidadãos paulistanos, que não conseguem enxergar a obviedade da falência do modelo de desenvolvimento baseado no automóvel.

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Uma tarde chuvosa qualquer…

Quarta-feira, 21/Janeiro/2009 · Deixe um comentário

 

Tirei esta foto em um final de tarde de dezembro do ano passado. Mas o dia, a hora e o local poderiam ser outros. Até a cidade poderia ser outra.

Eu estava dentro do ônibus prestes a cruzar a Paulista em direção aos Jardins. Era a terceira vez que o sinal abria para quem estava na Brigadeiro, mas o ônibus não saía do lugar. É que os motoristas que trafegavam na Paulista estavam se revezando na árdua tarefa de fechar o cruzamento…

E ainda tem gente que reclama da “indústria de multas”. Se existir tal indústria, tenho certeza que a matéria-prima que ela utiliza é produto da falta de educação paulistana.

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Parece piada…

Quarta-feira, 10/Dezembro/2008 · 1 Comentário

Descobri esta notícia só hoje, no fórum SkyScraperCity:

Estudo aponta transporte alternativo para o Centro de São Paulo” – Redação Terra

O engenheiro Leonardo Hitoshi Hotta, mestre em engenharia de transportes pela Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (EESC-USP), defende o uso do Transporte Público Individualizado (TPI), ou Personal Rapid Transit (PRT), como saída para a falta de estacionamentos. Esse tipo de transporte, segundo o professor, seria ideal para pequenas ou médias cidades ou como complemento alimentador de um sistema de grande capacidade, como é o caso da capital paulista. Em São Paulo, ele acredita que esse tipo de transporte, que é automático e sem condutor, seria ideal para o centro da cidade.

“É uma alternativa para o centro de São Paulo, porque dispensa estacionamento numa área extremamente cara e facilita a locomoção. Não vai substituir o Metrô. Ele seria um sistema concorrente aos carros, ao transporte individual, pois é um transporte com capacidade para até quatro passageiros, a mesma de um carro”, afirmou. …”

 

Na minha modesta opinião, isto é uma piada. Nada contra quem exercita sua criatividade pensando em soluções de transporte, mas o simples fato de considerar que um vagão de 4 passageiros pode ser a solução para o transporte no Centro de São Paulo, é inventividade demais e pé no chão de menos.

Eu, que defendo a volta do transporte em veículo leve  sobre trilhos (o bom e velho BONDE modernizado), nem considero este micro-bonde uma opção viável.

Mas esta é a MINHA opinião…

A teoria parece boa, mas na prática...

A teoria parece boa, mas na prática...

Fotos: Terra

As imagens acima são do protótipo produzido para o aeroporto de Heathrow, na Inglaterra. a capacidade de cada veículo é de 4 pessoas.

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Ônibus movido a ETANOL?

Quarta-feira, 19/Novembro/2008 · 1 Comentário

 

 

Muito tem se falado sobre o uso de combustíveis “limpos” ao invés de combustíveis fósseis. É fato que os derivados de petróleo como diesel, gasolina, GLP, querosene, entre outros, são responsáveis por grande parte da poluição atmosférica. O etanol é, certamente, uma excelente opção para substituir os derivados de petróleo. Não se pretende entrar no mérito de se as formas de produção de etanol são sustentáveis ou não. Sabe-se que a monocultura da cana-de-açúcar vem ocupando terras férteis que poderiam ser utilizadas para a produção de alimentos. Além disso, na colheita da cana, muitos trabalhadores rurais sofrem uma exploração desumana, sendo forçados a trabalhar exaustivamente por salários injustos. Deixando as generalizações de lado, a produção e utilização do etanol são viáveis, desde que se respeitem alguns princípios éticos e legais básicos.

Frota de ônibus movidos a Etanol em Estocolmo

Frota de ônibus movidos a Etanol de Estocolmo

  Vem da Suécia uma solução pioneira, plenamente adaptável à cidade de São Paulo. A Scania, que é sueca, produz desde meados da década de 1980 um motor para veículos de grande porte – ônibus e caminhões – que utiliza como combustível etanol ao invés de diesel. Grande parte da frota de ônibus de Estocolmo é movida a etanol, e isso há mais de 20 anos. O Brasil, que domina a produção deste combustível há décadas, até agora não implantou nenhuma ação concreta para passar a utilizar ônibus movidos a etanol no transporte coletivo. Em 2007, um (isso mesmo, só um) ônibus com chassi e motor Scania foi colocado para rodar no corredor São Mateus-Jabaquara, para ser “testado”.

Veículo movido a Etanol em pleno uso

 

O piso baixo do veiculo é de fazer inveja aos caminhônibus brasileiros

O piso baixo do veículo é de fazer inveja aos “caminhônibus” brasileiros

Muitas dúvidas vêm à tona:

Por que só agora se pensou em adotar a solução sueca? A operação destes veículos já se mostrou viável na Europa. O Brasil têm etanol mais barato e que polui menos.

Por que só um ônibus está circulando por aqui? Será que uma cidade do tamanho de São Paulo não pode ter mais ônibus abastecidos com biocombustível, mesmo que seja como “experiência”?

Quanto tempo vai demorar para que outros ônibus a etanol sejam empregados em São Paulo? Mais uma vez: a solução empregada em Estocolmo já se mostrou altamente viável.

 

Seguem algumas explicações a respeito do sistema do ônibus à etanol:

 

- Como é o motor do ônibus?

É um motor a diesel modificado para funcionar com etanol. O etanol para este tipo de motor é diferente daquele destinado a veículos flex. Para motores diesel, o combustível deve ser composto por 93,6% de etanol, 3,6% de aditivos (lubrificantes e melhoradores de ignição), 2,8% de desnaturante e ainda um aditivo anti-corrosão. O desnaturante serve para inibir a ingestão do líquido – nada de caipirinha de etanol.

 

- Emissões

Testes feitos pela Scania na Suécia mostram reduções consideráveis nas emissões de ônibus movidos à etanol comparados com os veículos diesel:

Óxido de Nitrogênio: –28%

Monóxido de Carbono: –80%

Hidrocarbonetos: –50%

Material Particulado: –60%

Dióxido de Carbono: –90% (para etanol de cana-de-açúcar)

 

- Consumo

Ônibus movidos a etanol consomem mais combustível do que se fossem movidos à diesel. Um ônibus articulado consome, em 10 km, 6 litros de diesel ou 9,5 litros de etanol, uma diferença de aproximadamente 60% no volume.

 

- Custos

Um ônibus movido a etanol é mais caro do que os movidos a diesel, e sua manutenção também tem um custo maior. Na Suécia, país que emprega a tecnologia dos motores movidos a etanol em mais de 500 ônibus, o aumento do custo de operação gira em torno de 2 a 3% por ônibus / ano. Esta diferença é compensada por um desconto em taxas e impostos, como o IPVA brasileiro,  cobrados sobre a circulação destes veículos.

 

- Viabilidade

Estocolmo utiliza ônibus movidos a etanol desde 1989, e o aumento constante na frota da cidade demonstra que os resultados são compensadores. Inclusive outras cidades da Suécia têm adotado medidas para substituir o diesel por etanol no transporte público.

 

Fontes:

www.ethanolbus.com – Dados técnicos e informações sobre o uso de ônibus a ethanol ao redor do mundo

www.scania.com – fabricante de motores a etanol para caminhões e ônibus

Imagens:

Scania – divulgação

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Não se finja de morto

Sexta-Feira, 19/Setembro/2008 · Deixe um comentário

Hoje acontece a Vaga Viva. É um movimento mundial que tem o objetivo de chamar as pessoas a ocuparem seu lugares de direito nas cidades. Ao invés de uma vaga de estacionamento na via pública, um espaço de convivência, descanso, manifestação, conversa, enfim, VIDA.

Fazemos parte de uma sociedade egoísta. Centenas de milhares de pessoas, cada uma dentro do seu veículo e ao mesmo tempo, ocupando as vias e querendo conquistar mais espaço que o motorista ao lado. Todos ao mesmo tempo, fechados em seus invólucros motorizados, sem se importar com a cidade em que vivem. De repente, ao invés de vivermos em um espaço comum, interagindo uns com os outros, passamos a nos preocupar em se defender. Os mais frágeis tentam sobreviver, e os mais fortes e ameaçadores acham que podem mais.

É preciso deixar claro que as ruas são feitas para as pessoas, e não para os automóveis. A Vaga Viva é a representação da reconquista do espaço público pelos cidadãos. A Vaga Viva do Movimento Nossa São Paulo está na Rua Padre João Manoel, na esquina com a Avenida Paulista. Veja algumas fotos:

 

 

 

Tem até música ao vivo, a cargo do Roberto…

Na foto abaixo dá para perceber quem está perdendo a batalha entre carros X pessoas…

 

Neste sábado, 20 de setembro de 2008, a Vaga Viva estará no mesmo endereço. Na segunda-feira, o Dia Mundial sem Carro, ela se muda para o SESC Consolação. às 10 horas, será apresentada aos candidatos à prefeitura de São Paulo uma pesquisa do Ibope sobre mobilidade urbana e qualidade de vida na cidade de São Paulo. Em seguida, às 12 horas, haverá um ato público pela melhoria da qualidade do diesel vendido no Brasil.

Maiores informações:

Dia Mundial sem Carro

Vaga Viva

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CPTM – Cia. Paulista de Transporte Meiaboca

Terça-feira, 19/Agosto/2008 · 1 Comentário

Na semana passada, a Cleusa chegou em casa esbaforida e faladora, como sempre. Já estou acostumado com suas reclamações sobre o trem que ela pega para chegar em casa. Ela sai de Itaquaquecetuba – Itaquá para os íntimos – e vai até a Luz. Sempre tem história nova para mim. Já ouvi até sobre brigas entre ciganos e crentes, com direito a golpe de Bíblia na cabeça da ciganada. Ela já me disse que a segurança nos trens aumentou, mas pelo jeito ainda falta muito. Mas na última quinta-feira, o problema foi um trem quebrado. E justo aquele no qual ela tinha embarcado. Como acontece com frequência, o trem tem que ser rebocado por uma locomotiva pelo menos até a próxima estação. Isso já causou muita confusão, e na última os vagões foram depredados e os passageiros ocuparam as linhas férreas. O resultado foi a interrupção do tráfego de trens por várias horas, prejudicando milhares de pessoas.

 

Só que desta vez o desfecho não foi tão, digamos, grave. O trem parou e o operador avisava a todo o instante que a locomotiva estava a caminho. A turma que gosta de tocar fogo no circo logo começou a gritar “vamu quebrá tudo”. Como a maioria dos passageiros sabia o que aconteceria se rolasse outro tumulto, a situação foi controlada. Como? Os baderneiros foram ameaçados de linchamento. Simples assim. O resultado é que a tal locomotiva demorou, mas chegou. E a Cleusa pôde continuar seu trajeto para o trabalho.

 

Há algo errado com a manutenção dos trens da CPTM. O que surge de problema de falha de equipamento não é brincadeira. Será que não está faltando investimento sério em qualidade? Não adianta expandir o metrô, modernizar a comunicação visual e trocar o nome das linhas – agora com nome de pedras preciosas, se a rede ferroviária existente está funcionando de maneira precária.

 

Hoje, outra pane no sistema prejudicou os usuários. E a Cleusa tem mais uma história para contar.

 

Veja a notícia da pane de hoje aqui: http://www.estadao.com.br/cidades/not_cid226751,0.htm

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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