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Entradas do Novembro 2008

Ônibus movido a ETANOL?

Quarta-feira, 19/Novembro/2008 · 1 Comentário

 

 

Muito tem se falado sobre o uso de combustíveis “limpos” ao invés de combustíveis fósseis. É fato que os derivados de petróleo como diesel, gasolina, GLP, querosene, entre outros, são responsáveis por grande parte da poluição atmosférica. O etanol é, certamente, uma excelente opção para substituir os derivados de petróleo. Não se pretende entrar no mérito de se as formas de produção de etanol são sustentáveis ou não. Sabe-se que a monocultura da cana-de-açúcar vem ocupando terras férteis que poderiam ser utilizadas para a produção de alimentos. Além disso, na colheita da cana, muitos trabalhadores rurais sofrem uma exploração desumana, sendo forçados a trabalhar exaustivamente por salários injustos. Deixando as generalizações de lado, a produção e utilização do etanol são viáveis, desde que se respeitem alguns princípios éticos e legais básicos.

Frota de ônibus movidos a Etanol em Estocolmo

Frota de ônibus movidos a Etanol de Estocolmo

  Vem da Suécia uma solução pioneira, plenamente adaptável à cidade de São Paulo. A Scania, que é sueca, produz desde meados da década de 1980 um motor para veículos de grande porte – ônibus e caminhões – que utiliza como combustível etanol ao invés de diesel. Grande parte da frota de ônibus de Estocolmo é movida a etanol, e isso há mais de 20 anos. O Brasil, que domina a produção deste combustível há décadas, até agora não implantou nenhuma ação concreta para passar a utilizar ônibus movidos a etanol no transporte coletivo. Em 2007, um (isso mesmo, só um) ônibus com chassi e motor Scania foi colocado para rodar no corredor São Mateus-Jabaquara, para ser “testado”.

Veículo movido a Etanol em pleno uso

 

O piso baixo do veiculo é de fazer inveja aos caminhônibus brasileiros

O piso baixo do veículo é de fazer inveja aos “caminhônibus” brasileiros

Muitas dúvidas vêm à tona:

Por que só agora se pensou em adotar a solução sueca? A operação destes veículos já se mostrou viável na Europa. O Brasil têm etanol mais barato e que polui menos.

Por que só um ônibus está circulando por aqui? Será que uma cidade do tamanho de São Paulo não pode ter mais ônibus abastecidos com biocombustível, mesmo que seja como “experiência”?

Quanto tempo vai demorar para que outros ônibus a etanol sejam empregados em São Paulo? Mais uma vez: a solução empregada em Estocolmo já se mostrou altamente viável.

 

Seguem algumas explicações a respeito do sistema do ônibus à etanol:

 

- Como é o motor do ônibus?

É um motor a diesel modificado para funcionar com etanol. O etanol para este tipo de motor é diferente daquele destinado a veículos flex. Para motores diesel, o combustível deve ser composto por 93,6% de etanol, 3,6% de aditivos (lubrificantes e melhoradores de ignição), 2,8% de desnaturante e ainda um aditivo anti-corrosão. O desnaturante serve para inibir a ingestão do líquido – nada de caipirinha de etanol.

 

- Emissões

Testes feitos pela Scania na Suécia mostram reduções consideráveis nas emissões de ônibus movidos à etanol comparados com os veículos diesel:

Óxido de Nitrogênio: –28%

Monóxido de Carbono: –80%

Hidrocarbonetos: –50%

Material Particulado: –60%

Dióxido de Carbono: –90% (para etanol de cana-de-açúcar)

 

- Consumo

Ônibus movidos a etanol consomem mais combustível do que se fossem movidos à diesel. Um ônibus articulado consome, em 10 km, 6 litros de diesel ou 9,5 litros de etanol, uma diferença de aproximadamente 60% no volume.

 

- Custos

Um ônibus movido a etanol é mais caro do que os movidos a diesel, e sua manutenção também tem um custo maior. Na Suécia, país que emprega a tecnologia dos motores movidos a etanol em mais de 500 ônibus, o aumento do custo de operação gira em torno de 2 a 3% por ônibus / ano. Esta diferença é compensada por um desconto em taxas e impostos, como o IPVA brasileiro,  cobrados sobre a circulação destes veículos.

 

- Viabilidade

Estocolmo utiliza ônibus movidos a etanol desde 1989, e o aumento constante na frota da cidade demonstra que os resultados são compensadores. Inclusive outras cidades da Suécia têm adotado medidas para substituir o diesel por etanol no transporte público.

 

Fontes:

www.ethanolbus.com – Dados técnicos e informações sobre o uso de ônibus a ethanol ao redor do mundo

www.scania.com – fabricante de motores a etanol para caminhões e ônibus

Imagens:

Scania – divulgação

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Plano Municipal de Mudanças Climáticas

Quinta-feira, 13/Novembro/2008 · 1 Comentário

Na última segunda-feira, dia 10, o Secretário do Verde e Meio Ambiente do Município de São Paulo, Eduardo Jorge, apresentou o Plano Municipal de Mudanças Climáticas. O Plano estabelece os princípios de redução de impactos ambientais nas ações do poder público, cidadãos e organizações na cidade de São Paulo. Para isso, está sendo encaminhado para a Câmara Municipal o Projeto de Lei 530/08, que pode ser visualizado na íntegra aqui. Espera-se que os nobres vereadores discutam com a sociedade civil o conteúdo de tal Projeto, e que o mesmo seja aperfeiçoado e aprovado visando, em primeiro lugar, o bem-estar dos cidadãos paulistanos.

 

Aqui estão alguns pontos importantes do P.L. 530/08:

 

- Redução de 30% até 2012 das emissões de gases causadores do efeito estufa

- Estímulo ao uso de transporte não poluente

- Restrições ao uso de transporte automotor individual

- Possibildade de restrição da circulação de veículos quando a poluição atmosférica atingir níveis elevados

- Redução gradativa do uso de combustíveis fósseis (principalmente o diesel sujo) no transporte coletivo paulistano

- Restrição gradativa da circulação de veículos de transporte individual, na região central

- Ampliação da oferta de transporte público e estímulo ao uso de meios de transporte com menor potencial poluidor e emissor de gases de efeito estufa, com ênfase na rede ferroviária, metroviária, do trólebus, e outros meios de transporte utilizadores de combustíveis renováveis

- estímulo ao transporte não-motorizado, com ênfase na implementação de infra-estrutura e medidas operacionais para o uso da bicicleta, valorizando a articulação entre modais de transporte

- incentivo à geração de energia de fontes renováveis no município

- adoção de programas de eficiência energética e energias renováveis em edificações, indústrias e transportes

- adoção de programas de coleta seletiva por condomínios, shoppings, comércio e indústria

- Sistema de compensação ambiental para empreendimentos que afetem o Meio Ambiente

- Obrigatoriedade de licenciamento ambiental prévio para empreendimentos que gerem impacto ambiental

- Planejamento e controle da aglomeração urbana, com o objetivo de melhorar a ocupação racional do solo, a distribuição de recursos e ofertas de trabalho  e consequente diminuição dos deslocamentos diários na cidade

- Promoção da recuperação de áreas degradadas, sejam elas habitadas ou de preservação

- Promoção do aumento da arborização e da permeabilidade do solo na cidade

- Redução da outorga onerosa para empreendimentos que utilizem energia renovável

A discussão deste projeto de lei é importantíssima para o futuro de São Paulo.

Mais informações na página do movimento Nossa São Paulo:

http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/2073

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