Na semana passada, a Cleusa chegou em casa esbaforida e faladora, como sempre. Já estou acostumado com suas reclamações sobre o trem que ela pega para chegar em casa. Ela sai de Itaquaquecetuba – Itaquá para os íntimos – e vai até a Luz. Sempre tem história nova para mim. Já ouvi até sobre brigas entre ciganos e crentes, com direito a golpe de Bíblia na cabeça da ciganada. Ela já me disse que a segurança nos trens aumentou, mas pelo jeito ainda falta muito. Mas na última quinta-feira, o problema foi um trem quebrado. E justo aquele no qual ela tinha embarcado. Como acontece com frequência, o trem tem que ser rebocado por uma locomotiva pelo menos até a próxima estação. Isso já causou muita confusão, e na última os vagões foram depredados e os passageiros ocuparam as linhas férreas. O resultado foi a interrupção do tráfego de trens por várias horas, prejudicando milhares de pessoas.
Só que desta vez o desfecho não foi tão, digamos, grave. O trem parou e o operador avisava a todo o instante que a locomotiva estava a caminho. A turma que gosta de tocar fogo no circo logo começou a gritar “vamu quebrá tudo”. Como a maioria dos passageiros sabia o que aconteceria se rolasse outro tumulto, a situação foi controlada. Como? Os baderneiros foram ameaçados de linchamento. Simples assim. O resultado é que a tal locomotiva demorou, mas chegou. E a Cleusa pôde continuar seu trajeto para o trabalho.
Há algo errado com a manutenção dos trens da CPTM. O que surge de problema de falha de equipamento não é brincadeira. Será que não está faltando investimento sério em qualidade? Não adianta expandir o metrô, modernizar a comunicação visual e trocar o nome das linhas – agora com nome de pedras preciosas, se a rede ferroviária existente está funcionando de maneira precária.
Hoje, outra pane no sistema prejudicou os usuários. E a Cleusa tem mais uma história para contar.
Veja a notícia da pane de hoje aqui: http://www.estadao.com.br/cidades/not_cid226751,0.htm
